Pesquisa

“If we knew what it was we were doing, it would not be called research, would it?”
Albert Einstein

TL;DR: Coleções de links e breves descrições sobre a ciência que eu faço ou já fiz, em tom semi-biográfico. (última atualização: fev/21)

Meus interesses passeiam bastante entre áreas (algo que eu prefiro ver como uma vantagem). Meu doutorado foi em neurociência evolutiva, em particular, a relação entre capacidade cognitiva e composição celular do cérebro, os limites pro crescimento do cérebro de aves e modelos computacionais inspirados pelo desenvolvimento do sistema nervoso. Nessa época, eu cultivei também um interesse em sistemas complexos (depois de uma escola de verão no Santa Fe Institute) e no uso de redes complexas e modelos baseados em agentes como ferramentas úteis pra pesquisa.

Mais recentemente, meus interesses convergiram para o que eu tenho chamado de metaciência – i.e. ciência sobre a própria ciência, para tornar a ciência melhor. Isso começou com um interesse em como a estatística é usada nas ciências biomédicas, no contexto da “crise de reprodutibilidade” ou “revolução de credibilidade” que vive a ciência. Metaciência me agrada por ter um pouco de várias coisas que me interessaram por anos e que me deixar passear pelas ciências exatas, biomédicas ou sociais, dependendo do dia. De um lado, temas e perguntas que tem muito de sociologia da ciência, epistemologia e filosofia da ciência. De outro, métodos e ferramentas como meta-análises e modelos computacionais. Atualmente, esse interesse está canalizado na Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade – um esforço multicêntrico pra estimar a taxa de reprodutibilidade da ciência biomédica brasileira -, onde faço parte da equipe coordenadora.

Uma atividade relacionada é a organização de eventos e hackathons pra promover discussões e desenvolvimento de projetos em metaciência. Esse lado é feito via No-Budget Science – que tem o próprio site com muito mais informações. De interesse mais geral, lá tem um guia de trabalho remoto para cientistas do qual eu me orgulho bastante (colaboração com o Tiago Lubiana).

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Publicações

Neurociências

NEVES, K.; MEIRELES FERREIRA, F; TOVAR-MOLL, F.; GRAVETT, N.; BENNET, N C; KASWERA, C.; GILLISEN, E.; MANGER, P.; HERCULANO-HOUZEL, S. (2014) Cellular scaling rules for the brain of afrotherians
Descrição da composição celular do cérebro de mamíferos do clado Afrotheria (hyraxes, musaranhos-elefantes e topeiras-douradas), com interesse na universalidade de regras de composição celular em mamíferos, em particular as relativas às células da glia.

HERCULANO-HOUZEL, S.; AVELINO, K.; NEVES, K.; PORFIRIO, J.; MESSEDER, D.; MATTOS FEIJO, M.; MALDONADO, J.; MANGER, P. (2014) The elephant brain in numbers
Sobre a composição celular do enorme (~5 kg; um cérebro humano tem ~1,5 kg) cérebro do elefante.

GABI, M; NEVES, K; MASSERON, C; RIBEIRO, P F. M.; VENTURA-ANTUNES, L; TORRES, L; MOTA, B; KAAS, J H.; HERCULANO-HOUZEL, S (2016) No relative expansion of the number of prefrontal neurons in primate and human evolution
Número de neurônios em diferentes regiões do córtex de primatas. Pra quem se interessa pela questão de quão especial é a nossa espécie.

NEVES, K (2016). White Matter Expansion
Um capítulo revisando o que a gente sabe sobre a origem, evolução e expansão da substância branca no cérebro de mamíferos.

NEVES, K (2016). A neurociência abraça o mundo
Sobre o uso pouco cuidadoso da neurociência para informar questões sobre a qual a neurociência (pelo menos no estado atual) tem pouco a dizer.

NEVES, K; GUERCIO, GD; ANJOS-TRAVASSOS, Y; COSTA, S; PEROZZO, A; MONTEZUMA, K; HERCULANO-HOUZEL, S; PANIZZUTTI, R. (2020) The relationship between the number of neurons and behavioral performance in Swiss mice.
Trabalho sobre a (falta de) relação entre o número de neurônios e performance dos animais em diferentes tarefas de comportamento.

NEVES, K; MENEZES GUIMARÃES, D; RAYÊE, D; VALÉRIO-GOMES, B; MENESES IACK, P; LENT, R; MOTA, B. (2019) The reliability of the isotropic fractionator method for counting total cells and neurons.
Uma avaliação da confiabilidade de um método muito usado pra contar neurônios.

MOTA, B; DOS SANTOS, SE.; VENTURA-ANTUNES, L; JARDIM-MESSEDER, D; NEVES, KLEBER; KAZU, RS; NOCTOR, S; LAMBERT, K; BERTELSEN, MF.; MANGER, PR.; SHERWOOD, CC.; KAAS, JH; HERCULANO-HOUZEL, S (2019). White matter volume and white/gray matter ratio in mammalian species as a consequence of the universal scaling of cortical folding.
Derivações de algumas consequências de como o cérebro se dobra, usando muitos dados coletados sobre substância branca em cérebros de vários mamíferos.

NEVES, K; DACUNHA, FELIPE; HERCULANO-HOUZEL, SUZANA (2017) What Are Different Brains Made Of?
Artigo sobre cérebros e número de neurônios de mamíferos, com a revisão feita por crianças (o público-alvo da revista). Com ilustrações minhas.

Metaciência

AMARAL, OB; NEVES, K; WASILEWSKA-SAMPAIO, AP; CARNEIRO, CFD. (2019) Science Forum: The Brazilian Reproducibility Initiative.
Introdução, motivação e plano geral da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade.

NEVES, K; AMARAL, OB. (2020) Addressing selective reporting of experiments through predefined exclusion criteria.
Sobre o uso de critérios especificados antes de um experimento começar como uma heurística pra evitar certos viéses de seleção.

NEVES, K; CARNEIRO, CFD; WASILEWSKA-SAMPAIO, AP; ABREU, M.; GOMES, B. V.; TAN, P.; AMARAL, OB. (2020) Two years into the Brazilian Reproducibility Initiative: reflections on conducting a large-scale replication of Brazilian biomedical science.
Reflexões e aprendizados depois de dois anos organizando um grande esforço de replicar experimentos já publicados.

Outras coisas

GOMES, B. V.; GUIMARÃES, D. M.; SZCZUPAK, D.; NEVES, K. (2018) Female dispersion and sex ratios interact in the evolution of mating behavior: a computational model.
Um modelo computacional sobre o grau de dispersão espacial das fêmeas de uma espécie e a evolução de diferentes sistemas de acasalamento em mamíferos.

NEVES, K. Redes de relacionamento entre programas da UFRJ como subsídio para a política de pós-graduação (2017). Conferência UFRJ 100 Anos.

Análise que fiz enquanto parte de um grupo de trabalho do Conselho de Pós-Graduação da UFRJ, em cima das redes de colaboração e co-orientação dos programas de pós-graduação da universidade. Esse artigo foi apresentado na conferência de celebração dos 100 anos da UFRJ. Foi também a base do relatório do grupo de trabalho.

EITZEL MV, SOLERA J, WILSON KB, NEVES K, FISHER AC, VESKI A, OMOJU OE, NDLOVU AM, HOVE EM (2020). Using mixed methods to construct and analyze a participatory agent-based model of a complex Zimbabwean agro-pastoral system. PLoS One.

EITZEL MV, SOLERA J, WILSON KB, NEVES K, FISHER AC, VESKI A, OMOJU OE, NDLOVU AM, HOVE EM (2020). Indigenous climate adaptation sovereignty in a Zimbabwean agro-pastoral system: exploring definitions of sustainability success using a participatory agent-based model. Ecology and Society.

EITZEL MV, SOLERA J, HOVE EM, WILSON KB, NDLOVU AM, NDLOVU D, CHANGARARA A, NDLOVU A, NEVES K, CHIRINDIRA A, OMOJU OE, FISHER AC, VESKI A (2021). Assessing the Potential of Participatory Modeling for Decolonial Restoration of an Agro-Pastoral System in Rural Zimbabwe. Citizen Science: Theory and Practice.

Conjunto de trabalhos em cima de um modelo computacional para entender a dinâmica de uso de terra para agricultura e pecuária, inspirado e calibrado por dados provenientes da comunidade Mazvihwa no Zimbábue, fruto do trabalho de décadas do Muonde Trust. O projeto começou no Santa Fe Institute, puxado pela Melissa Eitzel. O primeiro artigo é sobre a implementação e calibração do modelo em si (que foi onde eu participei mais – o modelo, usando NetLogo, está aberto aqui). O segundo artigo discute sustentabilidade e como o modelo se presta a essa discussão. O último é sobre o processo de desenvolver um modelo participatório e como esse tipo de modelo pode ser usado.